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novembro 27, 2006

Litvinenko statement

Via: BBC

Russian former spy Alexander Litvinenko dictated a statement two days before his death, which was read out by his friend Alex Goldfarb outside University College Hospital in London on Friday.

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I would like to thank many people. My doctors, nurses and hospital staff who are doing all they can for me, the British police who are pursuing my case with vigour and professionalism and are watching over me and my family.

I would like to thank the British government for taking me under their care. I am honoured to be a British citizen.

I would like to thank the British public for their messages of support and for the interest they have shown in my plight.

I thank my wife Marina, who has stood by me. My love for her and our son knows no bounds.

But as I lie here I can distinctly hear the beating of wings of the angel of death.

I may be able to give him the slip but I have to say my legs do not run as fast as I would like.

I think, therefore, that this may be the time to say one or two things to the person responsible for my present condition.

You may succeed in silencing me but that silence comes at a price. You have shown yourself to be as barbaric and ruthless as your most hostile critics have claimed.

You have shown yourself to have no respect for life, liberty or any civilised value.

You have shown yourself to be unworthy of your office, to be unworthy of the trust of civilised men and women.

You may succeed in silencing one man but the howl of protest from around the world will reverberate, Mr Putin, in your ears for the rest of your life.

May God forgive you for what you have done, not only to me but to beloved Russia and its people.


Alexander Litvinenko
21 November 2006


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Carta póstuma de ex-espião russo acusa o presidente Putin de sua morte

Via: CorreioWeb

O ex-espião russo Alexander Litvinenko acusou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de ser o responsável por sua morte, em uma carta póstuma lida nesta sexta-feira à imprensa por seu porta-voz, Alex Goldfarb, depois de seu falecimento, na véspera, por causa de um aparentemente envenenamento ao estilo soviético.

"O senhor pode obrigar um homem a se calar, mas isso terá conseqüências, senhor Putin, sobre o resto de sua vida", afirma Litvinenko na carta, acrescentando que o presidente russo não é digno de seu posto.

Nesta carta, ditada no último dia 21 de novembro, o ex-espião afirma que Putin "demonstrou ser indigno da confiança de mulheres e homens civilizados". "Talvez Deus o perdoe pelo que o senhor fez, não apenas a mim, mas sim à minha amada Rússia e a seu povo", acrescenta Litvinenko no texto lido por Alex Goldfarb na entrada do University College Hospital, onde estava internado. "O senhor mostrou ser tão bárbaro e sem piedade como diziam seus críticos mais hostis", afirma ainda.

A Rússia negou reiteradamente estar envolvida na morte de Litvinenko, mas seus amigos acusaram as autoridades moscovitas devido às críticas do ex-agente secreto em relação ao Kremlin. Alexander Litvinenko, de 43 anos, faleceu nesta quinta-feira, depois de lutar durante três semanas contra a morte.

"Estes canalhas acabaram comigo. Mas não conseguirão fazê-lo com todos", confidenciou Litvinenko a seu amigo Andrei Nekrasov antes de morrer, segundo o jornal inglês The Times. Walter Litvinenko, o pai do ex-espião, declarou que o regime russo "é um perigo mortal para o mundo".

O motivo exato da morte continua sendo um mistério devido aos poucos detalhes fornecidos pela polícia e as informações médicas contraditórias. Na quinta-feira os médicos descartaram o diagnóstico inicial de um envenenamento com tálio e disseram que a radioatividade era improvável.

O jornal inglês The Guardian mencionou várias possibilidades na investigação policial, inclusive que a doença do ex-tenente-coronel do Serviço de Segurança Federal russo (ex-KGB) poderia ser o resultado de causas naturais.

Também detalhou a "cuidadosa campanha de relações públicas" lançada depois que a saúde de Litvinenko começou a se deteriorar, na semana passada, destacando que a mesma agência encarregada disso é utilizada por seu amigo pessoal, o multimilionário dissidente Boris Berezovsky.

Oleg Gordievsky, um ex-coronel da KGB que desertou da Rússia soviética e foi morar na Grã-Bretanha em meados dos anos 80, também deu uma série de entrevistas, afirmando não ter dúvidas de que os serviços de inteligência russos e Putin estavam por trás da morte de seu amigo.

"Ele só tinha um inimigo: era o diretor da KGB, a própria KGB e Putin. Ele continuou escrevendo artigos contra Putin e contra a KGB, principalmente o chefe da KGB. Por isso decidiram matá-lo", declarou Gordievsky à BBC na quinta-feira.

Em seu livro "Blowing up Russia: terror from within", Litvinenko afirma que os serviços de inteligência planejaram os atentados com bomba contra prédios em 1999, o que desencadeou a segunda guerra na Chechênia, levando e então quase desconhecido Vladimir Putin ao poder.

O ex-espião também estava investigando a morte da jornalista russa Anna Politkovskaya, uma ferrenha adversária da política de seu país na Chechênia e que foi assassinada a balas diante de sua residência em 7 de outubro, em Moscou.

"Esse é o preço de provar que a pessoa estava dizendo a verdade", teria dito Litvinenko a Nekrasov na terça-feira passada, segundo The Times desta sexta.

Em compensação, o especialista em segurança, Glenmor Trenear-Harvey, rejeitou as alegações de que se trata de um assassinato com motivações políticas, declarando à rádio BBC que a ameaça que isso representaria pra as relações entre a Rússia e a Grã-Bretanha "seria muito grande".


Publicado por João Carvalho Fernandes às novembro 27, 2006 01:00 PM

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