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fevereiro 03, 2006
COM UM BRILHOZINHO NOS OLHOS - SÉRGIO GODINHO
Com um brilhozinho nos olhos
e a saia rodada
escancaraste a porta do bar
trazias o cabelo aos ombros
passeando de cá para lá
como as ondas do mar.
Conheço tão bem esses olhos
e nunca me enganam,
o que é que aconteceu, diz lá
é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa
no mundo não há.
Com um brilhozinho nos olhos
metemos o carro
muito à frente, muito à frente dos bois
ou seja, fizemos promessas
trocamos retratos
trocamos projectos os dois
trocamos de roupa, trocamos de corpo,
trocamos de beijos, tão bom, é tão bom
e com um brilhozinho nos olhos
tocamos guitarra
p'lo menos a julgar pelo som
E que é que foi que ele disse?
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco. [x4]
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto [x4]
portanto,
Hoje soube-me a pouco
Com um brilhozinho nos olhos
corremos os estores
pusemos a rádio no "on"
acendemos a já costumeira
velinha de igreja
pusemos no "off" o telefone
e olha, não dá p'ra contar
mas sei que tu sabes
daquilo que sabes que eu sei
e com um brilhozinho nos olhos
ficamos parados
depois do que não te contei
Com um brilhozinho nos olhos
dissemos, sei lá
o que nos passou pela tola [o que nos passou pelo goto]
do estilo és o "number one"
dou-te vinte valores
és um treze no totobola [és o seis do meu totoloto]
e às duas por três
bebemos um copo
fizemos o quatro e pintámos o sete
e com um brilhozinho nos olhos
ficamos imóveis
a dar uma de "tête a tête"
E que é que foi que ele disse?
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco. [x4]
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto [x4]
portanto,
Hoje soube-me a pouco
E com um brilhozinho nos olhos
tentamos saber
para lá do que muito se amou
quem éramos nós
quem queríamos ser
e quais as esperanças
que a vida roubou
e olhei-o de longe
e mirei-o de perto
que quem não vê caras
não vê corações
com um brilhozinho nos olhos
guardei um amigo
que é coisa que vale milhões.
E que é que foi que ele disse?
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco. [x4]
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto [x4]
portanto,
Hoje soube-me a pouco
Sérgio Godinho
Publicado por João Carvalho Fernandes às fevereiro 3, 2006 03:00 PM
Comentários
A quem faz medo a Cultura?
Olá Viva
SOBRE A MUSICA E OS BOICOTES A ARTISTAS NOS MEDIA
Porque será que de anos para cá temos este inevitável direito a tanta mediocridade, para não dizer pior, quando nos impõem "artistas" ( salvo seja) que apenas denotam a tremenda herança obscurantista de que ainda não conseguimos livrar-nos.
Onde nos andam os bons intérpretes?
Raio! Olha que os há e grandes! Pois não senhor... Aí vai que nos despejam sem consulta prévia as mais descabidas mostras anti culturais que nem o mau gosto pode imaginar
De tanto grande nome a empoeirar no tempo. Nomes que esses sim ilustram o País a que pertencem
Ah Não passam por que são de esquerda?
Olhem lá e que culpa temos nós os que carregamos no botão de rádio ou televisão que sejam esses mesmos artistas os mais preocupados com questões de qualidade artística
Nós o que queríamos era acordar ao som de vozes que no elevam o país, que são janela aberta sobre a expressão cultural portuguesa, que nos integram na s raízes que são nossas para melhor nos repartirmos universais e fraternos!
Pois é ! Mas esses não se ouvem ou muito pouco.
Na televisão quase nem se vêem, Nas rádios entretidas em fazer barulho com o que apenas confunde, não há tempo para sonoridades instrumentais ou vocais coerentes no desejo de trabalhar para um publico que lhe merece todo e o melhor respeito
Não me venham com a cantiga, de que " é do que gostam, é isso que compreendem" pois isso, era o velho discurso da época salazarista
Não se procurava dar ao povo senão a escala atingida, sem nunca propor um, nem que fosse um só degrau a mais. A não ser que fosse para descer.
Não, não se trata de eruditos apenas, até na música tradicional e popular portuguesa, há vozes que no estrangeiro são apreciadas sobremaneira.
Dou por prova e exemplo o compositor e cantor Arlindo de Carvalho, o homem que escreveu o célebre Chapéu Preto" ai que lindo chapéu preto ai que lindo chapéu preto naquela cabeça vai...
Pois vai, mas o pior é que a nós andam a enfiar-nos o garruço, e bem abaixo dos olhos no-lo querem enfiar
Devem crer-nos parvos, incapazes de reconhecer trigo do joio
Mas voltando ao Arlindo de Carvalho, que mesmo interpretando essa música alegre que propõe ao povo, também não passa senão raramente e pouco divulgado é.
Sabem que o Arlindo de Carvalho foi refugiado político em França.
Sabem que o Arlindo de Carvalho que hoje está com 76 anos é o compositor duma canção que todos conhecemos bem: E que muitos d'entre o povo português cantaram? E que dizia assim: camponês a terra é tua não a queiras ver roubada
A terra a terra é de quem a trabalha
e o pão irmão na mão de quem o ganha
Pois foi ele mesmo! Como também escreveu a canção a Penamacor, por terem lá estado fechados entre outros, grandes nomes da resistência portuguesa ao fascismo, e que diz assim
ó Penamacor ó Penamacor quanto sonhador por ti penou...
Por isso se quisessem ou antes se os deixassem livres de agir os média podiam oferecer-nos um vastíssimo leque de ARTISTAS tanto eruditos como populares e tradicionais , porque abundam em Portugal.
País onde não falta sol, flores nem poetas e os artistas são manancial inesgotável.
Assim aqui fico aguardando o dia de ver dignificar a Língua Portuguesa e a Cultura, a que o povo que trabalha e respira em Portugal tem o mais legítimo direito.
Marília Gonçalves
Publicado por: Marília Gonçalves em abril 4, 2006 11:06 AM
Pois é! sou um testemunho vivo de como se comportava o arlindo de carvalho nesta pobre "sociedade de bons valores". o arlindo é a expressão máxima do sentir a nossa jenuina música e acordes bem tradicionais e populares! quando tinha entre 16 e 19 anos de idade, costumava ir para casa do arlindo porque como eu nessa altura andava na academia dos amadores de música, um dia fui apresentado ao arlindo por um amigo comum. e o que eu adorava ver o arlindo compor com o seu bandolin!... naquela altura eu até achei completamente original compor música com o bandolin. foi na casa dele que eu assisti à nascença de vários temas que viriam mais tarde a ser famosos como por ex.: "as meninas da terçeira" ou "hortelã mourisca".
subscrevo integralmente todo o texto, e repito as palavras de uma canção do j. m. branco que diz: "a cantiga é uma arma" e "o canto como a arma deve ser bem fabricado".
bem ajam!
Publicado por: Márinho em julho 12, 2007 04:48 PM