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novembro 21, 2005
OTA – A GRANDE ALDRABICE!
(Publicado no Democracia Liberal)
Dizem-nos que o aeroporto da Ota vai ser construído por a Portela atingir a saturação em breve. Então como é possível que o aeroporto de Málaga, com uma área inferior ao de Lisboa e apenas uma pista contra as duas da Portela, esteja em fase de ampliação, que lhe dará mais 15 anos de vida útil? Será que somos mais ricos do que os espanhóis?
Contam-nos que a Ota será muito mais segura do que a Portela, onde há sempre o risco de um desastre, de um avião que caia sobre Lisboa. Mas não nos falam das mortes que ocorrerão na A1 e na CREL com o tráfego acrescido de e para o novo aeroporto. Nem nos falam da crescente densidade habitacional na zona da Ota. E será que os sucessivos presidentes de Câmara de Lisboa foram inconscientes a ponto de terem deixado construir de modo a perturbar as operações na Portela? Também não parece.
É-nos afirmado que Lisboa precisa de um aeroporto mais moderno. Mas será mesmo necessário, numa altura de grande crise económica? Prevê-se o dispêndio de cerca de 5 mil milhões de euros quando por cerca de 100 milhões de euros (2% do custo da Ota!) a Portela poderia durar mais 15 a 20 anos. E será que compensa ter um aeroporto mais moderno e menos fiável a nível meteorológico? É que na Portela é possível aterrar quase a integralidade dos 365 dias do ano. Na Ota tal será decerto impossível, por ser zona de nevoeiros.
Argumentam-nos que os aviões fazem muito ruído em Lisboa. E o barulho provocado apenas pelos automóveis na segunda circular? É bem superior! E cada vez os aviões são mais silenciosos, por imposições internacionais.
Quanto é que o país vai perder com o desaparecimento do tráfego turístico e de congressos gerado pela próximidade da Portela ao centro da cidade? Actualmente a maioria do tráfego (66%) é gerado por pessoas que se dirigem à cidade de Lisboa, 75% oriundos da Europa e com uma permanência média de 2,2 dias. Com a deslocação de e para a Ota, grande parte deste tráfego estará perdido!
O projecto da Ota terá apenas 11% de financiamento europeu. Os projectos na área ferroviária, bem mais úteis e reprodutivos, como a conversão da rede ferroviária nacional à bitola europeia teriam 80%. É claro que grande parte dos 89% não cobertos pela União Europeia terá de ser pago por todos. Por muito que nos digam que serão privados a pagarem... Já sabemos como é... Não foi assim no Centro Cultural de Belém, não foi assim na Casa da Música, não foi assim na Expo 98... E sempre nos foram “vendidos” como projectos auto-suficientes! Porque é que deveremos acreditar que desta vez será diferente?
Por estas razões todas, pelo facto de estarmos em plena crise económica e por haver investimentos decerto mais reprodutivos, é urgente (e enquanto ainda é possível), travar este projecto megalómano!
Assine a petição contra a Ota, aqui
Publicado por João Carvalho Fernandes às novembro 21, 2005 12:01 PM