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junho 19, 2005
NOZ DE FOGO - VITORINO NEMÉSIO
Tu me deste a Palavra, a noz do fogo
Se o miolo te ficou tenho os dedos queimados.
Dá Deus nozes, Senhor... Sem dentes, desde logo,
Teu Banquete revolta os desdentados.
O Pão esperou na Voz fome e saliva
Ninguém comeu senão da própria suficiência:
Ao menos o Menino tem gengiva,
Saboreia a inocência.
Tende piedade dos Críticos,
Dai-lhes o Best-Seller
Engrossarão o seu coro.
Tudo o que for Sentido - desterrado
E oculto no choro!
Fazei guardar por anjos
A Significação
E em nossa carne eles tenham
Ceva e consolação.
À entrada do Verbo, imo da Morte,
Ponde uma folha a espada:
Guardaremos a Vida e o sangue ao Norte
Do Nada.
Vitorino Nemésio
Publicado por João Carvalho Fernandes às junho 19, 2005 09:00 PM
Comentários
Um bem haja a todos os insulares molestados pela longitude da sua condição.
Abraços da Madeira,
JS
Publicado por: Joao em junho 20, 2005 12:42 AM