Esta foto, merece como legenda o comentário do próprio: "É incrível, mas não tenho uma foto decente :)"
O que levou um jornalista com créditos firmados e uma coluna fixa no Expresso a uma aventura como a weblog.pt?
PQ - Resposta curta: a curiosidade. As simple as that.
PQ - Resposta longa: até Fevereiro de 2003 os blogs eram apenas fontes de informação do jornalista, que mantinha o seu site pessoal num registo de... site, com algumas notícias e parte do arquivo dos cerca de um milhar de textos sobre Internet e Tecnologias de Informação que já escrevi. Em Fevereiro aconteceu o meu reencontro com o Luís Ene, que não via há 20 anos. Cautelosamente, por mail, dissemos um ao outro que só valia a pena reaproximarmo-nos SE houvesse aventuras novas, nenhum estava interessado em reviver o passado género "encontro dos Antigos Alunos do 6º F", com todo o respeito que nutro por esses acontecimentos, mas nem eu nem ele somos de reviver. Somos mais de maluqueiras novas. Encontrámo-nos e foi um flash: HAVIA projectos novos para fazermos juntos!
O Luís já tinha um blog há meses. Perguntava-me porque não tinha eu um. Decidi investigar mais a fundo a blogosfera enquanto fenómeno, até porque era tempo disso. Em simultâneo decorriam conversações com o meu editor Libório Silva, do Centro Atlântico, sobre um projecto de livro do Luís, que tinha acabado de publicar o seu romance de estreia; eu já era autor. O Libório torceu o nariz ao projecto (uma ficção) apenas porque não era da esfera do Centro Atlântico e alvitrou um livro a quatro mãos sobre algo que estivesse a dar... como os blogs. Eu e o Luís conversámos e... decidimos que sim, estava ao nosso alcance. Comecei por querer saber como funcionavam os motores editoriais dos blogs. É que nem sequer ponderei o Blogger, onde o Luís tinha o dele. Como já possuía o meu próprio servidor, queria um mecanismo que EU controlasse. Instalei um primeiro, cujo nome já não me lembro, e foi nele que arranquei (o vento lá fora) a 27 de Março, e o Luís começou o Ene Coisas. Dois outros jornalistas meus amigos começaram também ali blogs em Abril, um deles não durou muito tempo mas o outro continua: No Bosque Ocidental.
Em Maio mudei de motor. Realmente bom e potente era mesmo o Movable Type e achei que o futuro passaria por ele (aposta certa). A 28 desse mês registei o endereço weblog.com.pt tendo no horizonte a ideia de alojar mais blogs de amigos, depois de ter corrido bem a migração dos conteúdos dos nossos blogues para o novo sistema. A 10 de Junho abri o weblog.com.pt ao público. Mas nunca pensei que fosse obter o sucesso que obteve: pretendia apenas captar uma ou duas dúzias de pessoas mais exigentes em relação ao motor editorial...
O resto é história conhecida. Eu não estava preparado para o sucesso do projecto. Nem sequer o tinha dimensionado. Mas uma vez em curso tornou-se irresistível cavalgá-lo. Tal como é inebriante fazer e manter um blog, é inebriante (e cansativo...) fazer crescer uma comunidade de bloggers. Como a maioria das coisas na minha vida, fui acrescentando pormenores ao sabor da inspiração e do feeling. O Top Technorati nasceu no I Enconto de Bloggers em Braga, quando se falava da necessidade de página agregadoras: levantei-me e disse, eu vou fazer o Top Technorati. E fiz. O Blogómetro foi ideia minha. Outro grande responsável pelo sucesso foi a lista dos últimos posts -- algo para mim óbvio de fazer, uma vez que tinha ali à mão a base de dados, era uma questão de escrever o script.
Apesar de ser um projecto que à primeira vista nada tem a ver com jornalismo, na realidade tem. Primeiro: enquanto jornalista especializado (enfim, mais ou menos) em tecnologias compete-me estar em cima das novidades e os blogs eram novidade. Segundo, há um manancial de informação no sistema do weblog.com.pt que me é útil de vez em quando para o Expresso, como foi o caso na semana passada, num artigo sobre a mudança de comportamento dos utilizadores de serviços Internet, em que fui buscar os padrões de edição e de consulta dos blogs (os 400 blogs activos reflectem melhor que qualquer sondagem o universo dos blogs portugueses).
Terceiro e mais importante: fui dominando ferramentas de sistematização de pesquisa e publicação de informação (notícias, opiniões abalizadas, teorias, fait-divers, whatever) que antecipam o futuro do jornalismo online.
Achas que será possível manter no futuro o acesso gratuito?
PQ - No futuro a curto e médio prazo (isto é, nos próximos seis meses), sim. Desde que misturado com serviços pagos, como já pus em prática, que ajudem a sustentar o sistema. Prever a mais de seis meses nesta área não é grande ideia... Mas estou convicto que haverá sempre blogs gratuitos. A história de todos os serviços Internet recomenda esta ideia: continuam e continuam gratuitos, mesmo que tenham passado de moda.
Mas o projecto caminha para a profissionalização, ou não?
PQ - Sim. Não só caminha: já é um projecto profissional - só que ainda mal remunerado e deficitário. O weblog.com.pt já tem receitas. Curtas, mas inequivocamente receitas. E eu já divido a atenção: dou agora primazia, na assistência como na simples resposta ao correio, aos clientes - tentando não descurar os borlistas. Penso que este facto prova a profissionalização - para o bem e para o mal.
Quantas horas por dia dedicas, em média, à weblog?
PQ - Tenho dias de 16 horas, tenho dias de zero horas. Varia muito, em função das minhas outras actividades profissionais e lúdicas. Diria que em média dedico quatro horas em seis dias por semana ao projecto.
Qual o valor acrescentado para ti (seja do ponto de vista profissional ou pessoal) do teu blog, que também festeja agora um ano? (E já agora, Parabéns!)
PQ - Do ponto de vista profissional há dois valores. Primeiro, noto já algum deslocamento de "importância", isto é, já me aconteceu telefonarem-me por causa de um texto publicado no blog... Isto era impensável! Mas não ligo muito a isso: nunca tive intenção nem tenho de fazer jornalismo-jornalismo no meu blog. Pode acontecer um texto ser mais noticioso, ou dar uma "cacha" (informação em primeira mão) mas será uma excepção. O segundo valor é o do arquivo. O meu blog é o meu arquivo, é a minha secretária electrónica, é o meu elo de ligação comigo. Posso estar em qualquer parte do mundo, desde que tenha Internet posso trabalhar pois tenho o meu arquivo e secretária acessíveis. Por extensão esse é também o grande valor do meu blog do ponto de vista pessoal. É um ponto de encontro comigo mesmo, com as minhas ideias, com alguns elos familiares e de amizade. O meu blog é uma extensão digital de mim. E não é mais que isso: não chego sequer a considerar-me um "blogger" da blogosfera portuguesa, sou mais um outsider, não tenho um blog por moda, ou para publicar as minhas ideias nunca lidas (caramba, escrevo para o público há 25 anos!), ou pelas razões típicas. Tenho um blog porque descobri que é a melhor forma de ser ubíquo, o que me é necessário (além de fascinante, claro).
Alguma pergunta que gostarias que eu tivesse feito?
PQ - Ó pá, acho que depois deste testamento não me ocorre mais nada! Entusiasmei-me com o teu desafio e olha no que deu... A primeira resposta contém material infomativo sobre o weblog.com.pt rigorosamente inédito!
Publicado por João Carvalho Fernandes em março 26, 2004 08:19 AM | TrackBackO "chalado" do Paulo Querido sempre igual a ele mesmo!
Sempre no seu melhor! Inteligente, esperto e inovador!
É um achado!
É hoje é hoje! Parabennns!:))
Afixado por: Columbiana em março 26, 2004 11:34 AMParabéns! Pelo aniversário do Fumaças, pelasentrevistas geniais, por nos presentear com uma foto do Paulo Querido... (bem mais bonito aqui que no lançamento do livro, viu?). Abraços a todos.
Afixado por: Deméter em março 28, 2004 04:15 AMCaro PQ: Não tenho o seu e-mail para combinarmos o nosso cafezinho...
Afixado por: Paulo Ferreira da Cunha em abril 3, 2004 01:04 AMCaro PQ: Não tenho o seu e-mail para combinarmos o nosso cafezinho...
Afixado por: Paulo Ferreira da Cunha em abril 3, 2004 01:05 AM