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janeiro 12, 2004
POPULISTAS, DEMAGOGOS, FOMENTADORES DE MEDO, ETC...
Foram estes (e outros semelhantes) os epítetos com que foi brindado o PND por causa de um comunicado sobre sismos, que abaixo reproduzo.
Hoje o Diário de Notícias diz o seguinte sobre o mesmo assunto:
Nova construção em risco
ELSA COSTA E SILVA
A ocorrência de um sismo de média ou grande dimensão em Portugal (a partir da escala 6 de richter) terá graves consequências económicas. Ensaios realizados no Centro Comum de Investigação (CCI) da Comissão Europeia revelam que as novas construções portuguesas registam deformações permanentes, em caso de abalo sísmico. E os danos provocados colocam mesmo em causa a recuperação dos edifícios, levando os investigadores a propor alterações a estruturas que são muito comuns, por exemplo, nas urbanizações da Parque Expo, em Lisboa.
Segundo Artur Vieira Pinto - investigador português que trabalha no European Laboratory for Structural Assessment (ELSA), do CCI, situado em Ispra, Itália - o problema surge devido à utilização generalizada das lajes fungiformes, estruturas que facilitam a passagem de ligações que têm a ver com a electricidade e informática, mas que criam grandes vãos sem vigas de suporte.
Os estudos realizados demonstraram que a «exagerada flexibilidade» destas estruturas dá origem, em situação de terramotos, a grandes danos e custos muito elevados de recuperação. Os ensaios feitos pelos investigadores do ELSA, que avaliam os efeitos causados em estruturas por sismos de várias escalas de forma a testar a sua resistência, evidenciam «pouca capacidade de deformação».
O investigador português assinala que, por «razões de eficiência e economia de construção e diminuição dos custos das infra-estruturas», o número de edifícios está a aumentar consideravelmente em Portugal, bem como em outros países, em detrimento do sistema estrutural clássico viga-laje». Artur Vieira Pinto salienta que a esta perspectiva económica se junta o «minimalismo arquitectónico», que conduz a estruturas «mais esbeltas, flexíveis e arrojadas». Ou seja, edifícios que requerem «atenção especial na segurança», embora seja «preciso conjugar as exigências da arquitectura com as de engenharia».
O alerta para os riscos deste tipo de estrutura foi dado por anteriores ocorrências sísmicas, tais como a de Kobe, no Japão, que em 1995 se revelou muito destrutiva, particularmente para estruturas semelhantes às das lajes fungiformes, as Flat-slab que manifestaram «comportamentos catastróficos». Agora que está «ganho» o objectivo de salvar vidas em caso de terramoto, os esforços dos investigadores centram-se na «diminuição dos custos de eventuais sismos». Em Ispra, é usado um modelo em escala real, um edifício de três pisos, num projecto que conta com a participação de várias instituições europeias, como o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e Faculdade de Engenharia do Porto. No que respeita às estruturas clássicas, os ensaios realizados demonstraram, em caso de abalo, a ocorrência de maiores danos em elementos estruturais e não estruturais, deformações laterais e verticais permanentes e incapacidade de recuperar a deformação não elástica.
Para evitar tais riscos é necessário recorrer a uma «combinação de elementos estruturais verticais mais rígidos, como paredes para delimitar as deformações».
A notícia do Público, de 29 de Dezembro:
O Pedido
Nova Democracia quer audição parlamentar urgente sobre sismos
O Partido da Nova Democracia (PND) vai defender hoje a realização de uma audição urgente sobre os mecanismos existentes para a prevenção de sismos, considerando importante que o Governo "não repita os erros" que cometeu na última vaga de incêndios florestais. Em declarações à Lusa, a porta-voz do PND, Sara Marques, adiantou que o pedido de audição parlamentar sobre sismos será formalizado em carta enviada ao presidente da Assembleia da República, Mota Amaral.
O partido liderado por Manuel Monteiro quer que nessa audição estejam presentes os ministros da Defesa Nacional (Paulo Portas, da Saúde (Luís Filipe Pereira), da Administração Interna (Figueiredo Lopes) e das Cidades, Ambiente e Ordenamento do Território (Amílcar Theias). Sara Marques adiantou ainda que o PND defende que a audição parlamentar também deverá contar com a participação de directores hospitalares, responsáveis de forças de segurança, dos bombeiros e da Protecção Civil, especialistas do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e do Instituto Superior Técnico, e o presidente da Câmara de Lisboa. "Em Lisboa, há riscos de ocorrência de sismos com elevada intensidade. É preciso saber o que o presidente da Câmara está a fazer nesta matéria e se as construções que estão a ser autorizadas e edificadas obedecem às regras anti-sísmicas", justificou a dirigente da Nova Democracia.
A porta-voz do PND adiantou ainda que "o objectivo do pedido de audição parlamentar não é causar alarmismos, mas prevenir riscos e ter meios adequados para accionar caso exista algumas catástrofe". "Com os fogos florestais do último verão, verificou-se que nada tinha sido feito para prevenir. Os resultados estão à vista", referiu ainda Sara Marques. O PND, que teve o seu congresso fundador no início de Novembro, não tem assento parlamentar, pelo que a carta a pedir esta audição visa apenas marcar uma posição sobre o assunto.
Face às notícias hoje difundidas (e vindas de fora do País) sugiro a esses críticos que alterem os adjectivos para PREVIDENTES, PROACTIVOS e PREOCUPADOS. Talvez seja mais justo!
Publicado por João Carvalho Fernandes às janeiro 12, 2004 07:23 PM
Comentários
O P.N.D. quer ver se mede quanto vale na escala. Tenho a impressão que não vai provocar "abanão" nenhum, talvez um "abanico" que ninguém dá por ele.
Um abração do
Zecatelhado
Publicado por: Zecatelhado em janeiro 12, 2004 11:15 PM
As críticas são, no tom, injustas. Representam muita vez um simples e sórdido desprezo por tudo o que é novo, sobretudo quando o autor da crítica não faz parte do objecto da crítica. Quanto a isso, partilho do asco (espero poder chamar-lhe assim) do João Carvalho Fernandes.
Contudo há dois pontos, que me parecem ter sido infelizes, ou pelo menos pouco ponderados. O primeiro tem a ver com a altura em que o pedido foi feito e a notícia saiu para a imprensa, quando ainda se contavam mortos do sismo no Irão. Dever-se-ia ter esperado que o ambiente de consternação e choque passasse (estou a assumir que não houve a intenção de explorar o medo) para que não se pudesse interpretar que se quis explorar o medo. Não basta ser, há que parecer.
O segundo, menos grave que nem sei se foi referido nas ditas críticas, tem a ver com o facto de o PND ainda não ter assento parlamentar, e pedir simultaneamente não só um debate com quatro ministros, representantes de segurança, bombeiros, protecção civil, LNEC, CML, IST (mas não a FCT/UNL...), mas também que esse debate seja de urgência! Não nego a importância do tema, questiono a sua urgência, mas sobretudo considero excessivo, pelo menos de acordo com a actual dimensão do partido, que se peça tanto e ainda por cima com urgência. Teria sido mais sensato a parte da "urgência", ou pelo menos assim soaria.
Embora não seja nenhum erro grave parece-me que aqui faltou um pouco de tacto político.
De resto, considero que dá uma boa imagem, e mais que isso, reflecte boas prácticas políticas a atenção a assuntos que não seguem a agenda da comunicação social ou da política corriqueira. Na correcta identificação de assuntos importantes, embora subvalorizados, está um grande trunfo ao alcance da Nova Democracia.
Publicado por: Vasco Leal Figueira em janeiro 13, 2004 12:35 AM
Caro Vasco, no meio de isto tudo, há uma particularidade, que muitas vezes condiciona tudo o resto: o PND para ser ouvido, tem de falar alto!
Muitas vezes assuntos importantes sobre os quais o partido se tem pronunciado têm sido omitidos pela comunicação social, "pegando" esta em "fait-divers"! Vou-lhe dar só um exemplo, o PND entregou há algum tempo uma carta em S. Bento sobre a Constituição Europeia, que foi totalmente ignorada pela comunicação social. No dia seguinte, uma declaração provocatória mas sem importância do presidente do partido foi citada por todos os jornais!
Um Abraço.
Publicado por: João Carvalho Fernandes em janeiro 13, 2004 08:53 AM
É verdade, é verdade. Eu sei que não é fácil, lidar com uma imprensa que escolhe o que quer mostrar ao público, quando não inventa ela própria o que quer mostrar como realidade.
Percebo onde quer chegar e dou-lhe razão, e acho que também percebeu onde queria eu chegar, portanto, acho que nos estamos a compreender mutuamente. Trata-se é de uma situação difícil de gerir (a do PND), que leva forçosamente a este tipo de situações em que nem os próprios gostam muito da forma como aparecem na imprensa, embora tenham feito tudo, ou quase, de forma irrepreensível.
Publicado por: Vasco Leal Figueira em janeiro 13, 2004 02:00 PM