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outubro 27, 2003

DADO 2000

Álvaro de Castro & Dirk Niepoort

Partindo de uma ideia de Rolf Niepoort, o seu filho Dirk Niepoort e Álvaro de Castro associaram-se e criaram o Dado - um tinto loteado com vinhos da região do Dão e do Douro. As poucas garrafas produzidas já se encontram no mercado, vestidas com um rótulo original e inovador.

A combinação de duas importantes regiões vitivinícolas portuguesas na mesma garrafa representa mais um projecto de Dirk Niepoort: “O meu pai sempre me disse que o melhor vinho nacional seria um lote do Dão e do Douro. Provando alguns vinhos antigos da Real Companhia Velha (Granton) cheguei à conclusão que realmente podem ser vinhos fantásticos”.

Há três anos “resolvi meter mãos à obra e contactei o Álvaro de Castro, perguntando-lhe se estaria interessado em fazer parte dessa criação”. O produtor da Quinta da Pellada recorda que “ao receber o telefonema do Dirk, percebi desde logo a ideia dele, pois tinha lógica”.

Os dois produtores reuniram-se e provaram vários dos seus vinhos do Dão e do Douro, tentando procurar e definir a estilística desejada e possível. “Podíamos ter feito um vinho preto na cor, muito intenso e concentrado”, afirma Dirk Niepoort. “No entanto, preferimos tentar conjugar a gordura e a intensidade do Douro com a elegância e a longevidade dos tradicionais vinhos do Dão, ou seja, criar um vinho com um bouquet expressivo, uma excelente estrutura, bons taninos saborosos e uma acidez marcada, mas acima de tudo um tinto fino e complexo com harmonia entre todos os componentes”.

Da região do Douro, foram utilizados vinhos muito encorpados, taninosos, ricos e carnudos (de vinhas velhas com exposição a Norte mas com boa maturação) com um lote de vinhos com menos cor mas com mais acidez e um lado austero e duro de vinhas velhas da Quinta de Saes e da Quinta da Pellada.

O resultado: “um vinho com boa cor, não muito frutado, mas com um bouquet de uma exuberância e intensidade pouco usuais em Portugal. Na boca é extremamente expressivo e fino, com uma grande harmonia entre a concentração, os bons taninos (não em quantidade mas em qualidade) e a boa acidez que dá um lado austero ao vinho. Penso que tem uma grande longevidade e irá evoluir muito bem em garrafa”, refere Dirk Niepoort.


Nota de prova:
É viciante cheirar este vinho, tal é o encanto e a sedução do bouquet. Nariz muito definido e expressivo com a elegância sobressair desde o primeiro instante. Suave. Na boca confirma-se a boa estrutura, assim como a harmonia e o equilíbrio que ficou no primeiro contacto. Fresco. Os taninos finos e de qualidade sentem-se ao longo da prova e aparecem no longo final de boca. Um vinho que deslumbra e se bebe com um enorme prazer.

Porto, 6 de Outubro de 2003


INFORMAÇÕES GERAIS

Nome da vinha: Quinta da Pellada e Quinta de Nápoles
Idade das cepas: 60 anos
Castas: Jaen,Touriga Nacional,Tinta Amarela, Touriga Franca e Tinta Roriz
Forma de condução das videiras: Guyot duplo e cordão bilateral
Densidade das cepas por ha: 6.000
Tipo de solo: Xisto
Rendimento por ha: 10 hect./l
Exposição solar da vinha: várias
Altura acima do nível do mar: 100 a 200 metros
Irrigação: não
Forma de vindima: caixas
Período da vindima: Outubro
Fermentação: cuba de aço inox
Malolatica: barricas
Estágio: 18 meses em barricas de carvalho francês
Engarrafado: Junho 2002
Produção: 3.800 garrafas

INFORMAÇÕES TÉCNICA

Álcool: 13,30 % vol.
Açúcar residual: 1.62 g/l
Acidez total: 5,60 g/l ac. tartárico
Acidez volátil: 0.61 g/l ac. acético
Ph: 3.58
Estrato seco: 30,50
SO2 no Enchimento: 37 mg/l

Enviado por Nuno Miguel Borges

Publicado por João Carvalho Fernandes às outubro 27, 2003 01:29 PM